AuroraAssim que atravessamos a porta do cartório, fui tomada por uma estranha sensação de calma.Durante semanas, imaginei aquele momento dezenas de vezes.Em algumas versões, eu estava nervosa.Em outras, arrependida.Também imaginei que minhas mãos fossem tremer ou que meu coração disparasse de forma descontrolada.Mas nada daquilo aconteceu.Era como se meu corpo tivesse entendido, antes mesmo da minha mente, que não havia motivo para fugir.A recepcionista sorriu ao nos ver aproximar.— Bom dia. Podem me acompanhar, por favor.Leon caminhou ao meu lado, mantendo o mesmo passo que o meu.Nem rápido demais.Nem lento.Quando chegamos à sala destinada às cerimônias civis, encontrei um ambiente muito mais simples do que imaginava.Não havia luxo.Nem decoração exagerada.Apenas algumas cadeiras organizadas em fileiras, uma mesa de madeira onde repousava o livro de registros e, ao fundo, a bandeira do Brasil.Era um lugar discreto.Mas, de alguma forma, carregava a importância do mome
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