AuroraA porta de vidro do Grupo Monteiro se fechou atrás de nós.Por um instante, permaneci parada na calçada, ajustando a alça da bolsa sobre o ombro enquanto observava o movimento da avenida. Pessoas caminhavam apressadas, carros buzinavam ao longe e o céu cinzento anunciava que, mais cedo ou mais tarde, choveria.— Senhorita Duarte.Virei-me.Leon segurava a chave do carro entre os dedos.— Vamos nos atrasar.Assenti imediatamente.— Claro.Entrei no banco do passageiro e coloquei a pasta com os documentos sobre o colo.Durante alguns minutos, nenhum de nós disse uma palavra.Não era estranho.Na verdade, era exatamente assim que nossa relação funcionava.Falávamos quando havia algo que precisava ser dito.O restante do tempo era preenchido pelo silêncio.Enquanto o carro avançava pelas ruas movimentadas, voltei a conferir a documentação pela terceira vez.Certidão de nascimento.Comprovante de residência.Declarações.Cópias autenticadas.Tudo estava organizado em ordem, separado
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