O bipe suave do elevador anunciou a chegada ao topo, e as portas de inox deslizaram sem fazer barulho. Maya deu um passo para fora, pisando no tapete espesso da sala de estar, mas suas pernas pareciam feitas de chumbo. O contraste era violento: lá embaixo, o corredor cinza sufocante e o veneno de Gustavo; aqui em cima, a luz do sol de sábado inundava a cobertura através das imensas paredes de vidro, fazendo tudo parecer calmo, intocado e perigosamente falso.Estarrecida, ela caminhou até o balcão da cozinha americana. Suas mãos ainda tremiam de leve. Ela apoiou as palmas na superfície fria do mármore escuro e abaixou a cabeça, respirando fundo por entre os dentes. Ele sabe, a frase piscava em sua mente como um sinal de alerta vermelho. Gustavo sabia da folha de pagamento. Sabia que ela empurrava carrinhos de limpeza naquele mesmo prédio dias atrás.O som metálico das portas do elevador se abrindo novamente nas costas dela fez seu corpo inteiro se tencionar. Maya virou-se rápido, o
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