POV Gustavo O som do mar das Bahamas era um zumbido contínuo e irritante que atravessava as portas de vidro da suíte de luxo. No topo do balcão de mármore do banheiro, um espelho emoldurado em madeira nobre devolvia uma imagem que eu ainda lutava para reconhecer como minha. Eu não era mais o Doutor Gustavo Goulart, o herdeiro refinado da holding de engenharia, o homem de ternos alinhados e postura impecável que caminhava com altivez pelos corredores do Fórum do Rio de Janeiro. Sem a barba bem aparada, com a pele queimada pelo sol do Caribe e vestindo uma camisa de linho amassada, eu parecia uma sombra de mim mesmo. Uma sombra de quarenta milhões de dólares, mas, ainda assim, apenas uma sombra. Passei a mão pelo rosto, sentindo o suor frio brotar na minha testa apesar do ar-condicionado no máximo. A cena não saía da minha cabeça. Não saía da minha mente a imagem do meu pai, Humberto, arquitetando com o meu irmão Maurício a noite em que tudo mudou. “Uma lancha, sangue artificial, um
Leer más