Na terça-feira, às nove e cinquenta e quatro, eu já havia conferido a câmera três vezes, fechado a porta da sala que Teresa me emprestara e aberto o documento enviado pela Fundação Horizonte em duas telas diferentes, como se algum detalhe pudesse surgir apenas porque eu estava nervosa. A reunião começaria às dez. Beatriz participaria com a diretora executiva da instituição e uma pessoa do setor jurídico que eu ainda não conhecia. Teresa estaria comigo apenas durante a primeira parte, porque a proposta envolvia também a Fundação Montenegro, mas deixara claro desde o dia anterior que a negociação das minhas condições individuais deveria ser feita por mim. Quando perguntei se ela não poderia permanecer “só para garantir que eu não fizesse besteira”, respondeu que justamente por isso sairia.— Você está com medo de quê? — perguntou, entrando na sala com uma xícara de café.— De aceitar pouco, pedir demais, parecer inexperiente ou parecer convencida.— Excelente. Já identificou quase todas
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