Marcello A Sala de Audiências da Primeira Vara de Família parecia projetada para sufocar qualquer sopro de esperança. O ar-condicionado antigo soprava um ar gélido e ruidoso, que se misturava ao cheiro característico de papel velho, madeira encerada e mofo contido. As paredes revestidas por painéis de imbuia escura abafavam o ruído que vinha dos corredores do fórum, isolando-nos em uma bolha de tensão palpável. No centro do recinto, sobre um tablado elevado de madeira nobre, ficava a mesa do Juiz Dr. Aníbal de Mello. Ele era um homem de cerca de sessenta anos, com cabelos inteiramente grisalhos cortados rentes, sobrancelhas espessas e um olhar afiado, lapidado por décadas de magistratura. Ele não sorria, não expressava impaciência e nem pressa; apenas organizava minuciosamente os autos do processo sobre o tampo de couro sintético. Sentei-me à mesa da defesa, ocupando a cadeira à direita. Ao meu lado, Cecília mantinha as costas eretas, embora a palidez do seu rosto denunciasse o tur
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