MarcelloCaminhamos lado a lado pelo corredor de piso encerado em direção à ampla cozinha do orfanato. O cheiro morno de sopa de legumes com tempero caseiro já tomava conta do ar, tornando o ambiente inesperadamente acolhedor. Ao cruzarmos a porta, vimos o pequeno Pietro sentado em uma grande mesa de madeira de demolição, com os punhos balançando no ar e uma tigela funda diante de si. A Irmã Clara estava ao seu lado, incentivando-o com carinho a cada colherada. Cecília abriu um sorriso radiante ao ver o menino comendo e caminhou direto para junto dele, sentando-se na ponta do banco para acompanhar o lanche e conversar baixo com a freira.Eu me preparava para me juntar a eles quando o celular no bolso interno do meu paletó vibrou insistentemente. Puxei o aparelho e vi o nome de Gustavo piscar na tela. Fiz um sinal discreto para Cecília, indicando que iria atender, e dei alguns passos para trás, saindo para o hall silencioso que dava acesso ao pátio interno.— Fala, Gustavo — atendi,
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