Maya narrando O som rítmico e bipante dos monitores cardíacos parece ecoar vindo do fundo de um oceano escuro. Aos poucos, a névoa pesada da anestesia geral começa a se dissipar da minha mente. Sinto a minha pele fria, mas a queimação tóxica da febre finalmente sumiu. Abro os olhos devagar, piscando contra a claridade difusa da sala de recuperação da clínica. A primeira coisa que sinto é um alívio físico esmagador no meu baixo ventre. A pressão dilacerante que me torturava há meses desapareceu, deixando no lugar o repouso doloroso, mas limpo, dos novos pontos cirúrgicos. O meu gênio forte e a minha personalidade altiva despertam sutilmente quando olho para o lado e vejo a sala finalmente pacificada. Sentado em uma cadeira colada à minha maca, com a cabeça baixa e as mãos grandes cobrindo o rosto, está Arthur. O terno preto sob medida está amassado, as mangas da camisa arregaçadas, e os seus fios loiros desalinhados mostram que ele passou pelo próprio inferno do lado de fora daquela
Ler mais