Girei nos calcanhares e saí marchando na frente em direção à estrutura do camarote, sem esperar por ele.Eu precisava colocar distância entre o meu bom senso e o magnetismo irritante de Daniel Fontana.Pelo canto do olho, vi que ele vinha logo atrás, a passos lentos e descontraídos, ainda vestindo apenas aquela regata preta com a camisa jogada no ombro, acompanhando cada movimento meu com aqueles olhos escuros e atentos.Eu estava quase alcançando o início do fluxo mais denso de pessoas quando vi uma mulher de chapéu de feltro rosa interceptá-lo na pista.Ela tocou no peito dele, rindo de alguma piada interna.Revirei os olhos, sentindo uma pontada bizarra de irritação, e apertei o passo, decidindo ignorar.O problema é que o pavilhão havia virado um caos absoluto.A sanfona do show principal começou a chorar no talo, os alto-falantes vibravam e a galera dançava colada, abrindo e fechando clareiras no meio da terra batida.Fui serpenteando entre os casais, desviando de esbarrões, até
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