(Narrado por Adrián) Cheguei à casa do Alex sem avisar, com uma mala na mão e uma paciência que, claramente, já tinha esgotado. Bati na porta uma única vez e, quando ele abriu, ficou me olhando em silêncio por alguns segundos, correndo os olhos por mim de cima a baixo, como se estivesse avaliando uma cena particularmente interessante. — Ok… — disse ele, por fim. — Isso pode ser muito bom ou muito ruim. Você veio morar comigo ou veio chorar as pitangas? — Estou de saco cheio de hotéis — respondi, entrando sem esperar convite. — E preciso da sua ajuda. Ele fechou a porta atrás de mim com calma, cruzando os braços. — Perfeito, então é a segunda opção. Deixei a mala no chão e passei a mão pelo rosto. — Fui deserdado. O Alex piscou, surpreso. — Deserdado de verdade… ou o drama familiar de sempre? — Sem nada. Ele ficou em silêncio por um segundo. Depois, soltou um assobio. — Uau. Ok, não, isso sim é sério. Parabéns, oficialmente você é uma pessoa normal. Olhei para ele, feio.
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