(Narrado por Clara) Um mês não conserta tudo, mas pelo menos faz com que a dor deixe de ser a única coisa a ocupar espaço. Ela não desaparece, não se torna pequena, mas se acomoda o suficiente para que você consiga respirar sem sentir que está se despedaçando o tempo todo. No meu caso, isso já era um avanço. A minha vida não era perfeita, nem perto disso, mas eu tinha encontrado algo que não esperava alcançar tão cedo: estabilidade. Eu me levantava, ia trabalhar, voltava, comia, dormia; e, no meio dessa rotina repetitiva, havia algo reconfortante, algo que me mantinha de pé sem exigir mais do que eu podia dar. E, no meio de tudo isso, estava o Óscar. Ele não surgiu como um salvador ou como alguém que vinha para mudar o mundo; ele simplesmente ficou. E, naquele momento, isso era mais do que qualquer pessoa já tinha feito por mim. Era tranquilo, paciente, com uma forma de falar que fazia tudo parecer um pouco menos complicado. Sem perceber, comecei a me acostumar com a presenç
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