Não dormi, ou pelo menos não de uma forma que pudesse ser chamada de descanso. Cada vez que eu fechava os olhos, voltava a escutar aquelas vozes, aquelas palavras ditas com uma calma insuportável que transformava tudo em algo ainda mais real, mais frio, mais impossível de ignorar. O casamento, a Valeria, o Adrián. Tudo girava na minha cabeça sem ordem, repetindo-se uma e outra vez até que abri os olhos antes de o sol nascer, com o peito pesado e a sensação de que levantar significava aceitar que nada daquilo tinha sido um pesadelo. Fiquei alguns segundos olhando para o teto, sem me mexer, tentando me apegar àquela parte de mim que ainda duvidava, que ainda queria acreditar que algo em tudo aquilo não se encaixava, que havia uma explicação que não envolvesse traição. Mas essa parte era cada vez menor, mais fraca. Mesmo assim, levantei-me, vesti-me, arrumei-me e saí de casa como se fosse um dia normal, como se eu continuasse sendo a mesma pessoa de ontem, embora por dentro tudo parece
Ler mais