(Narrado por Clara) Passaram-se várias semanas. Semanas longas, pesadas, cheias de olhares desconfortáveis, ligações de advogados e silêncios que pareciam durar horas. Depois daquela discussão no escritório, tudo havia se movido rápido demais e, ao mesmo tempo, de forma dolorosamente lenta. A avó de Adrián tinha assumido as rédeas de tudo. Havia contactado médicos, advogados e laboratórios como se estivesse organizando uma reunião de negócios. O teste de DNA seria feito em uma clínica particular da cidade, com especialistas, testemunhas legais e toda a precisão possível. Mas, primeiro, precisávamos esperar. Esperar que a gravidez avançasse o suficiente para que o exame pudesse ser realizado sem riscos. Durante aquelas semanas, minha vida pareceu suspensa em uma espécie de limbo estranho. Eu não trabalhava, não saía e passava a maior parte do tempo tentando não pensar no momento em que tudo se resolveria. O dia chegou mais rápido do que eu esperava e, naquela manhã, acordei ante
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