O peso nos meus olhos parecia o de duas toneladas de puro chumbo. Quando tentei focar a vista no teto texturizado do meu quarto, o mundo girou um centímetro para a esquerda antes de voltar ao lugar. Uma pontada aguda latejou bem atrás da minha testa, um aviso claro de que o dia não seria nada fácil. Sentei-me na cama com lentidão, sentindo cada músculo do meu corpo protestar, como se eu tivesse passado a noite inteira levando uma surra. Minha garganta parecia lixada, seca e áspera, e um calafrio repentino me fez encolher os ombros por baixo do edredom. Passei a mão pelo rosto, sentindo a pele excessivamente quente. Ótimo* pensei, a voz interna ranzinza. Um resfriado dos brabos.* E logo hoje, em um dos períodos mais cheios do mês. Estiquei o braço com esforço até o criado-mudo, tateando o celular. A luz da tela agrediu minhas pupilas, arrancando de mim um resmungo baixo. Procurei pelo contato de Clara, minha secretária, e apertei para discar. Não demorou mais de dois toques
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