DONOVANO silêncio que se segue à entrada de meu pai na sala é pesado, quase palpável. A figura de Mateo, sempre tão imponente, parece agora carregar um peso extra, um cansaço que eu não havia notado antes. Ele caminha até a minha mesa, os olhos fixos na porta por onde aquela mulher, Vanessa, acabara de sair.— O que aquela mulher queria aqui, Donovan? — A voz do meu pai é um trovão contido, uma mistura de preocupação e uma fúria que ele mal consegue camuflar.Respiro fundo, sentindo o latejar recorrente na minha têmpora, onde a cicatriz insiste em ser o meu único lembrete constante de que há um abismo entre quem eu era e quem eu sou.— Ela marcou uma reunião, dizia ter um projeto de marketing, mas, na verdade, queria falar do passado — respondo, sentindo uma pontada de irritação. — Eu fui direto, pai. Deixei claro que não me recordo de nada, absolutamente nada. Disse a ela que lamento, e muito, ter esquecido você, a mamãe, minha irmã, meus tios, Sofia e o meu filho, Robert. Mas, quan
Ler mais