Posso até fingir que não me importo, mas algo aqui dentro me incomoda. Sou mãe e nunca faria o que aquela mulher fez. No passado me cobrava muito, me culpava, mas hoje entendo: não é, nunca foi, minha culpa. A cirurgia do pai do Grego foi bem complicada, mas no final deu tudo certo — agora só resta esperar. Fiquei cinco horas na sala, praticamente sozinha, com apenas uma enfermeira para me auxiliar. Muitos funcionários estão deixando o hospital: uns por medo, outros atrás de oportunidades melhores. A situação está difícil, e não sei até quando ele vai continuar aberto — quem sofre mesmo é a comunidade. — Rafa, muito obrigada pela ajuda. Sério, não sei o que seria desse homem sem você — digo. Ela é novata, recém‑formada, e hoje só restam ela e mais dois profissionais aqui. Não é um hospital grande, mas tem toda a estrutura que os moradores precisam, até UTI. Pena que ninguém quer trabalhar aqui. — Que isso, Vitória, não fiz mais que a minha obrigação — responde ela. Dou‑lhe um a
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