Outra batida e, desta vez, reconheci até o jeito de bater, fechei os olhos por um segundo.Não. Não. Não.Virei lentamente o rosto para a janela do motorista e encontrei minha mãe parada do lado de fora do carro, me encarando com a expressão exata de uma mulher italiana que acabou de flagrar o filho cometendo algum tipo de pecado automobilístico internacional.Santo Deus.— Mama!Em velocidade recorde, empurrei Valentina de volta para o banco do passageiro enquanto tentava recuperar algum vestígio de dignidade masculina, claro que fracassei completamente.Ao meu lado, ouvi Valentina murmurar, ainda sem ar:— Mama…?Ela olhou para mim e depois para a mulher do lado de fora e voltou a olhar novamente para mim.Fiquei esperando qualquer resquício de vergonha ou medo, van filosofia.Valentina não parecia assustada, ela estava curiosa.Os olhos claros analisaram minha mãe do lado de fora do carro com interesse quase elegante enquanto ajeitava o próprio cabelo, como se ser pega beijando um
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