O tilintar de metal contra o cristal ecoou pelo salão principal, cortando o burburinho de conversas e risadas de forma abrupta. Julian estava de pé à cabeceira da longa mesa de jantar, com uma taça na mão. O silêncio se instalou instantaneamente. Amigos, funcionários de confiança da fazenda e até alguns rostos que eu reconhecia vagamente da crônica social da capital se viraram para ele. Minha mãe, sentada algumas cadeiras à frente, sorriu para mim com os olhos brilhando. Eu, no entanto, senti o estômago dar um nó. O vento de dezembro que entrava pelas janelas abertas de repente pareceu gelado. — Boa noite a todos — a voz grave de Julian preencheu o ambiente, firme e segura. — Agradeço a presença de cada um de vocês aqui na Alvorada. Como sabem, a nossa fazenda sempre foi um lugar de trabalho, de raízes fortes e, acima de tudo, de herança. Mas, nos últimos tempos, eu percebi que uma herança não se constrói apenas com terra e gado. Ela se constrói com quem escolhemos para caminhar
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