O calor do banheiro havia ficado para trás, substituído pelo estalar reconfortante da lenha na lareira da sala principal. Julian me acomodou na poltrona de madeira, garantindo que eu estivesse completamente envolta nas mantas de lã pesadas que ele havia aquecido. Meu tornozelo já mostrava um inchaço evidente, mas a dor física era quase um detalhe perto do silêncio que se instalou entre nós.Depois que ele me tirou do chão do banheiro, uma barreira invisível, mas intransponível, ergueu-se no cômodo. Julian recolheu as suas roupas molhadas e foi para o anexo se lavar com o restante da água. Quando voltou, usava uma calça jeans seca que encontrou no armário dos vigias e uma camiseta cinza antiga, visivelmente gasta, mas limpa.Não havia mais provocações. Não havia mais o magnetismo ruidoso da discussão de antes. Ele se sentou no chão, do outro lado da lareira, apoiando as costas contra a parede de pedra. Os olhos cinzentos estavam fixos nas chamas, opacos, como se estivesse processand
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