POV: RAFAEL O prédio da comissão em Brasília tinha aquele tipo de arquitetura feita pra intimidar qualquer pessoa comum que cruzasse a porta giratória de vidro. Teto alto, mármore frio, funcionários apressados com pastas debaixo do braço, o eco de vozes formais se misturando no saguão principal. Fiquei na sala de espera reservada pras testemunhas de apoio, incapaz de acompanhar Jade até a Sala 302, onde o depoimento formal aconteceria. O advogado não permitia companhia além do necessário, e eu, oficialmente, não era nem parente nem representante legal. Só o homem que passou as últimas semanas tentando mantê-la viva. Aguiar, o advogado de Fortaleza que tínhamos contratado, estava lá dentro com ela. Isso ajudava a aliviar o nó no meu estômago, mas não apagava tudo. Passei os primeiros vinte minutos andando de um lado pro outro na sala estreita, o som dos meus passos ecoando no piso frio. — Senta, Rafael — Igor disse, já numa cadeira desconfortável, o ombro enfaixado sob o paletó em
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