Quando enfiaram uma sopa fria pela porta, fez muito mais sentido Alícia ter insistido para que eu comesse a dela dessa vez.Ela queria proteger aquela criança no meu ventre porque não tinha conseguido proteger a dela. Eu entendi isso sem precisar que ela dissesse — havia algo no gesto, na forma como ela estendeu o prato sem fazer cerimônia e sem querer reconhecimento, que era mais honesto do que qualquer coisa que ela poderia ter dito em voz alta. Mesmo assim não comi, e insisti para que ela se alimentasse e se mantivesse forte caso precisássemos escapar em uma fuga. Era o único tipo de argumento que eu sabia que funcionava com ela: lógica prática sem enfeite.— Não estou sendo legal, sabe — ela tentou explicar, apontando para o prato de sopa. — É só que isso é horrível mesmo.— Acho que eles não devem ter nenhum cozinheiro digno
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