POV FLORAEu sempre disse que, se dependesse só dos homens Maldonado, essa família acabava comigo.Não por falta de dinheiro.Nem por falta de sobrenome.Nem por falta de casa grande, empregados competentes e louça boa o suficiente para servir até cardeal.Acabava por pura teimosia masculina.Raul, principalmente.Meu neto era a prova viva de que Deus às vezes capricha demais na beleza e economiza na habilidade emocional. Bonito, rico, inteligente, poderoso, dono de restaurantes espalhados pelo mundo inteiro... e, ainda assim, incapaz de fazer o óbvio sem que uma senhora de setenta e nove anos se visse obrigada a organizar tudo nos bastidores como uma general em guerra.E naquela manhã, graças ao céu, à minha inteligência e à absoluta inutilidade romântica daquele menino, eu estava prestes a colher os frutos do meu esforço.Encostei o ouvido na porta do quarto do Raul.— Dona Flora, pelo amor de Deus, para com isso — Júlia sussurrou atrás de mim, horrorizada demais para o meu gosto. —
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