POV RAULAcordei antes do sol entrar por inteiro no quarto.Não foi susto. Não foi hábito. Foi calor.Calor no peito, no braço, na linha exata do corpo de Zoe encaixado contra o meu como se, durante a noite, ela tivesse decidido parar de fugir por algumas horas e deixado o sono fazer o trabalho sujo no lugar dela.Abri os olhos devagar.O quarto ainda estava naquela meia-luz indecisa da madrugada se rendendo à manhã. Lira dormia na caminha acoplada, pequena demais debaixo da coberta, com o coelho esmagado contra o peito. Zoe, não. Zoe tinha virado completamente para mim durante a noite e agora descansava com o rosto perto demais, a testa quase na minha clavícula, o braço dobrado entre nós e a respiração quente atravessando a camiseta como uma tortura mansa.Fiquei imóvel.Por alguns segundos, não fiz nada além de olhar.O cabelo dela tinha escapado pelo travesseiro e vinha parar no meu pescoço, espalhando aquele cheiro limpo de shampoo e sono. A boca dela estava relaxada. O rosto, sem
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