Capítulo 14 Sofia Farias Um mês. Trinta dias de inferno silencioso. Eu e Naty vivíamos como sombras na universidade. Evitávamos olhar para Murilo e Miguel, para Israel e Rafael. Cada vez que sentia o olhar deles queimando nas minhas costas, meu coração se apertava tanto que doía fisicamente. Eu andava com a cabeça baixa, o peito vazio, o corpo ansiando por um toque que não podia ter. Pietro, nosso irmão de 18 anos, estava sempre por perto, vigiando, seguindo, como um cão de guarda silencioso. Ele não dizia nada, mas sua presença constante nos lembrava da proibição dos nossos pais. Eu me sentia presa. Sufocada. Morta por dentro. Naquela tarde, quando chegamos em casa com mamãe, eu e Naty estávamos exaustas. Subimos direto para o quarto, jogando as mochilas no chão. Eu me deitei na cama de Naty, encostando a cabeça no ombro dela. — Eu não aguento mais… — murmurei, a voz rouca. — Um mês sem tocar neles, sem ouvir a voz deles… Eu sinto falta do jeito como Murilo me olha, c
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