A manhã começou estranha.Não foi o despertador que me acordou. Não foi o sol entrando pela janela. Foi o silêncio. Um silêncio diferente, pesado, errado. Na mansão Volpi, silêncio sempre tinha significado paz. As crianças dormiam até tarde, os funcionários faziam barulho na cozinha, e o Arthur batia os passos no escritório. Mas naquela manhã, o silêncio era vazio. Faltava alguma coisa.Faltava o Léo.Ele nunca dormia até tarde. Ele sempre acordava antes das seis, batia na minha porta com o dinossauro na mão, pulava na minha cama e gritava "ELENA, O SOL JÁ NASCEU!". Naquele dia, nada. Levantei. Vestido um short e uma blusa. Corredor vazio.Subi as escadas.Ele estava no quarto dele. Deitado de lado, o dinossauro abraçado no peito, o rosto virado para a parede. Respiração pesada. Estranha.— Léo? — chamei baixo.Ele não respondeu.— Amor? — me aproximei. Sentei na beira da cama. Toquei o ombro dele. A pele estava quente. Quente demais. — Léo, acorda.Ele gemeu. Virou o rosto. As bochec
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