POV JÚLIA MONTSERRATAcordei sozinha em uma cama que não era minha, mas o cheiro que me envolvia era familiar demais: terra molhada depois da chuva, aço frio e algo quente, masculino. Dante Leone.Meu corpo, que ontem à noite parecia prestes a se desfazer em brasas, agora respirava calmo. A loba rosa dentro de mim não rosnava mais de dor — ela ronronava, satisfeita, como se tivesse encontrado um porto seguro.Sentei devagar, o lençol macio deslizando pela pele. O latejar na cabeça ainda existia, mas o aperto no peito... esse havia diminuído. Pela primeira vez em anos, eu não sentia Gabriel me sufocando de dentro pra fora.Desci as escadas descalça sendo guiada pelo cheiro e ovos e café. Dante estava na cozinha, exatamente onde eu esperava que estivesse. Estava de costas para mim, concentrado em uma frigideira onde os ovos estalavam no fogo baixo. Estava sem camisa, apenas de short de moletom, e a visão era e tanto. Dante sempre foi um homem atraente, mas vê-lo assim, desarmado, fazi
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