A casa de Dandara estava cheia, barulhenta, viva do jeito que sempre foi. A mãe dela organizava a mesa enquanto conversava com o marido, que opinava em tudo como se estivesse resolvendo um grande problema. Na sala, Blenda dominava a conversa com facilidade, e Théo, largado no sofá, implicava com cada frase como se fosse parte essencial do ambiente. Guilherme observava em silêncio, como de costume, enquanto Bernardo assistia a tudo com tranquilidade, encostado na parede. Dandara estava no meio de tudo, leve, presente, sorrindo sem esforço.Até a porta abrir sem aviso.— Eu espero que ainda tenha café, porque atravessar um oceano merece, no mínimo, uma recepção decente.A voz entrou antes da pessoa, firme e natural, como se nunca tivesse deixado de existir ali. Dandara virou na hora. Não foi surpresa, foi reconhecimento. Maria Clara estava parada na entrada, óculos escuros, postura segura, exatamente como alguém que não pede espaço — ocupa. Tirou os óculos com calma, e o olhar encontrou
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