Quando Théo estacionou em frente ao prédio de Blenda naquela noite, os dois demoraram alguns segundos para sair do carro. O dia havia sido longo. Emocionante. Intenso. Muita coisa havia mudado nas últimas semanas e, pela primeira vez em muito tempo, Blenda sentia que sua vida finalmente estava entrando nos trilhos. Ela olhou para Théo. — Você sobe? Ele sorriu. — Você ainda precisa perguntar? Blenda riu baixinho. Já dentro do apartamento, ela preparou um chá enquanto Théo organizava algumas coisas na cozinha, insistindo que agora, como namorado oficial, tinha direitos domésticos adquiridos. — Isso não existe — Blenda respondeu, divertida. — Claro que existe. Está na Constituição dos Namorados Apaixonados. Ela balançou a cabeça, rindo. Mais tarde, sentaram-se no sofá. Conversaram sobre o dia. Sobre Augusto. Sobre Helena. Sobre o futuro. Sobre a vida. Como sempre acontecia entre eles, o tempo passou sem que percebessem. Em determinado momento, Blenda ficou em silênci
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