ISADORA VILLANOVAChorei até a minha garganta doer e os meus olhos arderem. Era humilhante, doloroso e assustador. Aos poucos, porém, o meu choro foi perdendo a força. A respiração ofegante foi se acalmando, e a razão começou a voltar para a minha mente. Com a minha mão livre, limpei o rosto molhado e respirei fundo. Alcancei o decote do meu vestido e, com muito cuidado, puxei o celular que o delegado havia me entregado. Pressionei o botão lateral e a tela acendeu. Abri a câmera frontal, analisando para o estrago. O meu cabelo, que antes descia longo pelas minhas costas, agora estava assimétrico e picotado. Algumas mechas batiam na altura do pescoço, outras repousavam perto dos ombros, com pontas totalmente irregulares. Era um corte feio, feito puramente para me humilhar e me fazer parecer maluca na frente de qualquer pessoa. Mas, graças a Deus, não havia nada curto demais. Suspirei profundamente e fechei o aplicativo da câmera com um toque na tela."Vai ficar tudo bem", pensei co
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