O silêncio da cobertura era absoluto, uma redoma de vidro que me isolava do pulsar frenético de Chicago, mas dentro da minha cabeça, o caos gritava em uma frequência ensurdecedora.Eu me encontrava sob o jato de água quente do chuveiro, as mãos espalmadas contra os azulejos frios enquanto deixava a fumaça subir ao meu redor, criando uma névoa que mimetizava a confusão na minha alma. A água batia em meus ombros, mas minha pele ainda parecia queimar, marcada nos lugares exatos onde os dedos de Damiano a haviam reivindicado com uma autoridade que eu nunca permitira a ninguém. Fechei os olhos com força, tentando expulsar as sensações, mas a escuridão só serviu para projetar, com uma nitidez perturbadora, a imagem dele sobre mim — o brilho possessivo em seus olhos escuros, a veia pulsando em seu pescoço como um animal enjaulado e a urgência crua de seu beijo, que tinha gosto de uísque e perigo.Uma onda de vergonha me atingiu, descendo pela minha espinha e misturan
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