DanteAcordei antes de o sol acertar o ângulo no vidro. Primeiro, veio o cheiro dela no meu travesseiro. Depois, o peso bom da perna jogada por cima da minha cintura, a mão aberta, se sentindo dona, na minha barriga. O mundo inteiro podia tocar a campainha; eu não atenderia. A casa respirava devagar, cúmplice. E eu fiquei olhando Valentina dormir como quem guardava joia com os olhos.Ela mexeu o rosto, os cílios tremeram, e eu sabia que estava voltando. Encostei a boca no alto da testa dela, o ponto onde a noite assinou "pra sempre" e deixei um beijo que é mais bênção que promessa.- Bom dia, minha mulher. - sussurrei, rouco de felicidade.Ela abriu um olho, depois o outro. O sorriso veio antes da fala, e eu entendi por que homem atravessava oceano por causa de um sorriso.- Bom dia, meu homem. - ela devolveu, voz de lençol morno. - Você sempre acorda assim... perigoso? - ela passou a perna em mim.- Só quando o perigo tem seu nome. - respondi, e o riso dela encostou em mim como sol.
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