ValentinaA carícia dele não tinha pressa. O beijo veio depois, manso, profundo, daqueles que afinam o relógio do corpo. Eu senti o mundo deslizar pro lugar certo: o lugar em que desejo e cuidado cabem na mesma frase. Quando o vestido caiu, não fez barulho. Quando a mão dele encontrou minha cintura, meu corpo respondeu com o alívio dos que reconhecem a própria língua.- Me diz que você tá aqui - pedi, já um pouco sem fôlego.- Tô aqui, amore mio. - A boca dele pronunciou "agora" em todos os lugares onde o medo morou. E eu acreditei.Fizemos amor como quem escreve à mão: letra bonita, pausas, respiro, assinatura. O toque, ora suave, ora firme, contou a história inteira do nosso reencontro. Quando eu cheguei, foi com um suspiro cheio e limpo, aquele que atravessa o corpo e benze a cabeça. Ele esperou. Me guardou no olhar. E só então se permitiu, num abraço que dizia "eu fico".Depois ficamos quietos, mas não era silêncio; era música baixa. Meu rosto colado ao peito dele; o dele, no topo
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