ValentinaDesde a discussão com Dante por causa de Giovanni, um fantasma sussurra no fundo da minha cabeça: "Ele vai te deixar".O pânico tem memória boa; ele sabe o caminho das minhas costelas, conhece o atalho pelo estômago. Quando ouvi meu próprio nome na voz do Don frio, cortante, armado, alguma coisa em mim voltou a ser aquela menina de dezesseis anos, num quarto emprestado, juntando as coisas depressa antes que o mundo dissesse "não é mais seu".Eu disse coisas que doeram, ele disse coisas que cortaram, e, durante um segundo comprido demais, temi o pior: o barulho da porta fechando por fora e a casa inteira me devolvendo ao silêncio de quem fica.Mas a vida tem um jeito de nos desmentir quando mais precisamos. E mesmo depois da briga, ele voltou.Na noite em que meu corpo se acendeu como brasa e as palavras se soltaram de mim sem filtro, "Se é para viver sozinha de novo, me leve", eu pensei no meu tio. No cheiro de café passado forte demais, nas mãos grandes atrapalhadas com bot
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