ValentinaTravei ao vê-lo.Dante não andava, ocupava o espaço. O terno e camisa pretos, a luz de fim de tarde recortando os ombros largos, e o relógio prateado que denuncia cada gesto.Os olhos dele encontraram os meus, depois me mediu de cima a baixo. Não foi de forma vulgar. Foi... metódico. Uma leitura. Eu deveria me irritar. Em vez disso, sinto paz na irritação.Que tipo de bruxaria é essa?Ele se aproximou até uma distância educada, ou calculada, levantou a mão sem tocar. Depois, recuou meio centímetro, como se lembrasse de uma lei que só ele assinou.— O corredor está frio. — disse, seco — Leve isto.Estendeu um xale. Lã fina, cinza-escuro, cheiro limpo de armário conservado.— Obrigada pelo chá e pelos livros que eu não pedi. — respondi, encaixando os olhos nos dele.— Não faço gentilezas. — a voz veio limpa, gelada. — Faço gestão.— Da minha saúde... ou da sua consciência? — perguntei, arqueando as sobrancelhas. Um quase sorriso tenta nascer no canto da boca dele. Ele o mata a
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