Dante Acordei num lugar que não reconheci. Por um segundo, o teto era meu, as sombras eram minhas, o cheiro era meu. E então algo tremeu nos meus braços. Valentina. O mundo voltou inteiro e de uma vez. O escuro nos engolindo, o peso morno dela sobre meu peito, meu braço debaixo do seu pescoço, a mão dela ainda presa à minha como se o sono fosse um precipício. O tremor repetiu, curto, estranho e percorreu o corpo dela como um arrepio que não tem frio. Endireitei o tronco. - Rojas? - chamei, ainda rouco. Outro tremor, mas esse foi maior. O ar no quarto mudou de densidade, como se faltasse oxigênio. Acendi o abajur com um tranco. A luz abriu a cena que eu não queria: os olhos dela entreabertos, mas sem foco, a mandíbula travando, o peito procurando um ar que não obedecia. Os dedos da mão esquerda fecharam e abriram, sem comando. Embaixo de mim, os músculos dela começaram a se contrair em ondas, descoordenados. - Valentina, olha pra mim. - segurei o rosto dela entre as mãos. - Fa
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