Dante A batalha pela Vittoria tinha sido vencida na primeira hora. Assim que chegamos ao hospital, a equipe de neonatologia a levou. Tubos, incubadoras, luzes. Doutora Chiara me garantiu, com olhos sérios mas calmos, que o coração dela estava respondendo. Que ela era pequena, mas tenaz. Eu respirei. Achei que o inferno tinha acabado. Achei que a cota de tragédia da noite tinha sido preenchida. Voltei para o quarto onde Valentina estava sendo atendida. Ela estava deitada, ainda suja do parto, o rosto inchado, pálida demais. As enfermeiras limpavam o sangue, trocavam o soro. Caminhei até ela, sentindo o peso do cansaço esmagar meus ossos. - Amore... - chamei, pegando a mão dela. Estava fria. Fria demais. Valentina abriu os olhos, mas eles não me encontraram. Eles vagavam pelo teto, perdidos. - Dante... - ela sussurrou, a língua enrolada. - A luz... tá muito forte. Franzi a testa. A luz estava baixa. - A luz está apagada, Tina. - Não... - ela gemeu, levanto a mão à cabeça. - Dói.
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