Dante Valentina dormia. Não era um sono leve. Era o tipo de sono que só chega depois do medo, quando o corpo entende que sobreviveu e, exausto, decide se render por algumas horas. A respiração dela era profunda, ritmada, como se cada inspiração estivesse reconstruindo o que a noite tentou quebrar. Eu permaneci ali, parado, observando. Sempre observei pessoas. Sempre soube identificar sinais. Fraqueza. Desejo. Mentira. Mas Valentina nunca foi leitura fácil. Ela não se entrega em detalhes. Ela se impõe inteira. Passei os olhos pelo rosto dela com atenção quase reverente. Os cílios longos, a pele ainda pálida demais para o meu gosto, os lábios entreabertos, inchados do beijo que trocamos antes de ela adormecer. Lábios que aprenderam a dizer meu nome como se ele fosse promessa e ameaça ao mesmo tempo. Inclinei-me e toquei seu maxilar com o polegar, devagar, sem acordá-la. Um gesto mínimo. Um gesto meu. Depois, meu olhar desceu. A barriga. Já não era apenas ideia. Não era apenas f
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