O VEXAME DA SOGRA BIANCA FERRER Passei a noite inteira com os olhos abertos encarando o teto da suíte, o corpo tenso e a mente em polvorosa, revirando cada palavra, cada pausa e cada ameaça velada que Sebastian me jogou na cara. Quando o dia finalmente clareia, desço as escadas com pressa para encontrá-lo, mas a sala de jantar está vazia. — O senhor Sebastian já saiu, dona Bianca — informa a governanta, recolhendo os panos de louça. — Saiu bem cedo, nem tomou café. Engulo em seco, frustrada. Sem perder tempo, tomo uma xícara rápida de café amargo e decido tomar a única cartada que me resta: vou falar com a minha sogra. Pego o celular e ligo direto para ela, sem me importar com a formalidade. Após alguns toques, sua voz gélida e polida atende. — Diga, Bianca. — Sogra... A senhora pode me receber hoje de manhã? É urgente. Preciso falar com a senhora. — Tenho apenas meia hora livre, Bianca — responde ela, sem o menor pingo de entusiasmo. — Estou de saída para um evento beneficente
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