A luz pálida da manhã de outono em São Paulo filtrava-se pelas persianas da suíte de recuperação, desenhando linhas douradas sobre o berço de acrílico onde Theo dormia. O som do hospital, antes uma sinfonia de pânico e bipes de emergência, agora se resumia ao murmúrio baixo do ar-condicionado e ao roçar suave dos lençóis. Sophie estava sentada, apoiada em vários travesseiros, observando Enzo. Ele estava de pé, de costas para ela, concentrado em aquecer uma compressa morna. Havia algo de sagrado na forma como os ombros dele, antes carregados com o peso de um império financeiro, agora se curvavam apenas para garantir o conforto da esposa e do filho. — Enzo... — ela chamou baixinho, a voz ainda um pouco arranhada, mas ganhando corpo a cada dia. — Venha descansar um pouco. Você não se sentou desde que as enfermeiras vieram para o banho do Theo. Enzo virou-se, e o sorriso que ele deu foi de um cansaço gratificante. Ele aproximou-se da cama e sentou-se na borda, pegando a mão de Soph
Ler mais