O tempo resolveu ligar o modo turbo. Era como se eu estivesse vivendo no modo 1.5x. Faltavam apenas dois meses e, se eu parasse para respirar muito fundo, sentia que perdia alguma reunião com fornecedor ou algum detalhe da obra. Mas, apesar da correria, eu estava decidida a manter os pés no chão — ou melhor, nos pedais do piano.Eu e meu pai estávamos trancados na sala de novo. O chão estava forrado de partituras e algumas canecas de café vazias.— Pai, essa entrada está muito "marcha fúnebre". Vamos dar uma animada nisso, senão o Mike vai achar que eu estou entrando para um velório e não para o altar — eu disse, rindo e testando um acorde mais aberto.Meu pai deu uma risada, ajeitando o violão no colo.— Ué, mas você quer o quê? Samba? Eu estou tentando manter a classe, Clarinha! Mas tudo bem, vamos tentar esse dedilhado aqui, vê se fica do seu agosto.Ele começou a tocar uma sequência mais leve, com um balanço que parecia flutuar pela sala.— Isso! — exclamei, acompanhando-o no
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