O dia do último adeus amanheceu com um céu cinzento, como se o próprio mundo tivesse perdido a saturação. O funeral não foi uma despedida comum; foi o encerramento de uma sinfonia que todos queriam que durasse para sempre.Mike, que na noite anterior desabara conosco no chão da sala, havia reassumido seu posto de muralha. Ele estava impecável em um terno escuro, com o semblante rígido e os olhos fixos, mas a ternura com que ele segurava minha mão denunciava que sua força era, acima de tudo, um ato de amor por mim e pela minha mãe. Ele não saía do nosso lado, filtrando as conversas, organizando o fluxo de pessoas e garantindo que tivéssemos espaço para respirar em meio ao sufoco do luto.Minha mãe, por outro lado, parecia ter se transformado em fumaça. Ela estava ali fisicamente, mas sua alma parecia ter partido junto com ele. Ela não falava quase nada. Sentada na primeira fila, ela apenas observava o caixão com um olhar perdido, as mãos repousando sobre o colo, segurando o lenço que
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