DiogoParte 1 — O Fantasma da LinhagemO ambiente da cafeteria do hospital estava quase vazio.Mergulhado no silêncio naquele primeiro dia do ano, como se o mundo inteiro tivesse exaurido toda a energia na virada e agora simplesmente não soubesse como continuar. O cheiro de café se misturava ao cheiro de antisséptico, e eu sentia que, se não saísse daquele corredor, as paredes acabariam me esmagando devagar.Fabrício, com aquela sensatez que sempre aparecia quando mais precisávamos, praticamente nos arrastou para baixo.— Vamos, vocês dois. — A voz saiu baixa, mas firme, do tipo que não abre espaço para discussão. — Ninguém comeu nada desde a ceia. A espera vai ser longa e vocês precisam estar de pé quando o Fernando sair daquela sala.Seguimos como autômatos.Sentamos numa mesa de canto, longe do movimento, os três juntos, mas cada um dentro do próprio silêncio. Eu apoiava os cotovelos na fórmica fria, sentindo o suor das minhas mãos, sequei lentamente na calça. Felipe estava ao meu
Ler mais