Já fazia pouco mais de duas semanas que Luna tinha voltado para o Havaí, e, por fora, tudo parecia ter voltado ao lugar, apesar de pôr dentro ainda sentir muita dor e confusão.Ela acordava cedo, antes do sol se abrir por inteiro, prendia o cabelo do jeito de sempre, passava protetor com a mesma disciplina, e descia para o mar com a prancha debaixo do braço como quem desce para cumprir um rito.Surfava todos os dias pela manhã, pegava ondas boas, às vezes excelentes, e o corpo respondia com facilidade, porque os músculos ainda lembravam do alto rendimento.A lesão no joelho parecia algo de um passado distante.Depois do mar, ajudava a mãe na loja e nas aulas de surf das crianças. A loja tinha o cheiro familiar de parafina, tecido novo e maresia, como se o oceano estivesse impregnado em tudo.As aulas das crianças eram a parte mais divertida, e talvez a mais traiçoeira também, porque era impossível não sorrir e se apaixonar vendo a alegria sem filtro de quem fica de pé pela primeira ve
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