Rodrigo SantoroOs anos não passam… eles disparam.Eu costumava ouvir isso de pessoas mais velhas e achava exagero, dramatização barata de quem não tinha mais o que viver. Hoje, sentado na varanda de casa, com um copo de whisky pela metade na mão e o som da risada da minha filha ecoando pelo jardim, eu entendo.Eles não passam. Eles fogem de você.E, quando você percebe, tudo já mudou.Aurora não é mais o pequeno milagre frágil que cabia nos meus braços. Não é mais a bebê que eu observava respirar durante a madrugada, com medo de que, se eu piscasse, ela desaparecesse como tudo na minha vida um dia já desapareceu.Ela cresceu.E cresceu sendo… tudo.— Papai! — a voz dela ecoa, doce e cheia de vida, enquanto corre pelo jardim com um vestido amarelo rodando ao redor do corpo.Levanto o olhar automaticamente. Sempre levanto.Sempre estou atento.— Cuidado pra não cair, princesa. — digo, com aquele tom que mistura firmeza e carinho.Ela ri.— Eu não vou cair! Eu sou forte igual você!Meu
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