Nossos pedidos chegaram e, por alguns minutos, o silêncio tomou conta da mesa. Não era um silêncio ruim, daqueles pesados e desconfortáveis. Era apenas tranquilo. Enzo estava completamente concentrado no prato, encantado com os camarões como se fossem a melhor coisa do mundo e, talvez, para ele, fossem mesmo.— Hummm! — ele soltou, com a boca cheia, os olhos brilhando. — Isso é muito bom!Não consegui evitar um pequeno sorriso.— Mastiga direito, filho — repreendi, mas sem firmeza de verdade.Rafael, ao meu lado, apenas observava, atento, silencioso, analisando cada detalhe. Não de um jeito invasivo, mas presente. Como se estivesse tentando entender, aprender, fazer parte.Aquilo ainda me deixava desconcertada.Voltei minha atenção para o prato, tentando ignorar a sensação.Foi então que ele falou.— Precisamos resolver a questão do registro do Enzo.Meu corpo ficou levemente tenso. Eu já sabia que aquele assunto viria, mas não achei que seria ali, naquele momento, naquele clima.— Pr
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