A velha Kombi verde-água parou lentamente em frente à casa de Sebastian. Kiara desligou o motor, mas permaneceu alguns instantes com as mãos apoiadas sobre o volante, observando a varanda iluminada pela luz amarelada da entrada. Durante todo o caminho, desde que saíra da casa dos Althea, repetira para si mesma a mesma frase inúmeras vezes. Ele merece saber. Não importava o quanto aquela conversa fosse dolorosa. Mentir também era uma forma de machucar, e Sebastian já havia sofrido demais para continuar vivendo preso a uma mentira. Respirou fundo, abriu a porta da Kombi e desceu. A noite estava agradável. Uma brisa suave atravessava o jardim, balançando as árvores e espalhando o perfume das flores que a mãe de Sebastian cultivara durante anos. Kiara mal teve tempo de bater. A porta se abriu imediatamente. Sebastian sorriu ao vê-la. Era um sorriso sincero, daqueles que faziam seus olhos se estreitarem levemente e que, durante muito tempo, sempre lhe transmitiram paz.
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