Pov’s Arthur ForbesNova York, EUA.Entro no apartamento de cabeça baixa, carregando comigo a mesma desesperança de sempre.Logo na entrada, sinto um cheiro fresco, de limpeza — algo totalmente fora do padrão. Ninguém põe os pés aqui desde que minha velha morreu. Este apartamento virou um refúgio cinzento, esquecido, sem visitas, sem ninguém. Eu moro só, e faço questão de manter distância de todos. Por isso, paredes e móveis permanecem neutros, apagados, sem cor — porque não gosto que haja cores.Tiro o paletó, afrouxo a gravata, desabotoo a camisa social. Largo a pasta e as chaves do carro no sofá, exausto, como se me livrasse de um peso. Vou até a mesinha ao lado, sirvo um copo generoso de uísque, e deixo que a bebida alivie o aperto no peito.Por alguns segundos, olho a noite através da janela. Solto um suspiro longo.De repente, um barulho me tira do transe: passos apressados, depois o estrondo de um abajur quebrando. Viro-me de imediato, alerta, e vejo uma mulher segurando u
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