MÁSCARAS E SOMBRAS VINCENT Não demora muito, talvez meia hora depois, o som seco dos saltos de Safira contra o mármore anuncia sua chegada. Ela entra na suíte como um furacão contido, fechando a porta com uma força excessiva, o estrondo ecoando pelas paredes como um reflexo de sua indignação. O rosto dela, sempre tão meticulosamente composto, agora exibe os vincos de uma raiva que ela mal consegue esconder. — Por que você tinha que estragar a nossa noite, Vincent? — Ela dispara, jogando a bolsa sobre a poltrona com um gesto brusco. — Estávamos cercados de pessoas importantes e você sai daquele jeito, me deixando sozinha para dar explicações ridículas. Eu levanto o olhar devagar na direção dela. Sinto-me exausto, como se estivesse carregando o mundo nas costas. A irritação dela, antes tão relevante para manter a harmonia das nossas aparências, agora me parece minúscula, quase patética, diante do abismo que se abriu dentro da minha cabeça. — Eu tenho quase certeza de que você me tro
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