Helena ocupava espaço. Mesmo parada. Mesmo em silêncio. Era impressionante. E levemente assustador. Depois de vinte minutos de conversa educada na sala — que pareceram três anos completos — ela decidiu tomar banho antes do jantar. O que me deu… uma pequena chance de respirar. Muito pequena. Fui direto pra cozinha. Nathan veio atrás. Claro. — Você parece prestes a pedir socorro — ele comentou. Peguei uma panela. — Porque eu estou. — Dramático. — Sua mãe me analisa como se estivesse lendo um relatório financeiro. Nathan abriu um armário. Pegou pratos. Natural. Calmo. Irritantemente bonito fazendo coisas simples. — Ela faz isso com todo mundo. — Ah, ótimo. Então ela é naturalmente intimidadora. — Sim. — Que reconfortante. Ele soltou um quase sorriso. Aquele pequeno. Perigoso. Comecei a separar ingredientes sem pensar muito. Só precisava me ocupar. — O que exatamente a gente tá fazendo? — perguntei. — Massa. — Isso não é específico. — Macarrão ao molho.
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