EmíliaA noite estava úmida e pesada demais para a época do ano.Eu caminhava na frente do grupo como uma lâmina afiada, as botas afundando na terra molhada, o cheiro de floresta e suor misturado no ar. Atrás de mim vinham quase oitenta lobos. Errantes, renegados, sobreviventes amargos que tinham perdido tudo. Todos unidos por uma única coisa: o mesmo ódio queimando dentro do meu peito.Ódio de Eros. Ódio daquela bastarda da Vênus. Ódio de tudo que Diamante representava.Marcus caminhava ao meu lado, tentando acompanhar meu ritmo. Eu sentia o olhar dele de vez em quando, pesado, ansioso, quase suplicante. Eu odiava aquele olhar. Odiava a forma como ele ainda tentava me acalmar, como se eu fosse algum animal selvagem que precisava ser contido.“Emília…”, ele começou, a voz baixa e cautelosa. “A gente precisa falar sobre o plano de entrada. Se a gente for pelo lado leste...”“Cala a boca”, eu cortei, sem nem olhar para ele. A voz saiu rouca de tanto ódio contido. “Eu já expliquei três v
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