ChristianO portão reforçado se fechou atrás de nós com um estrondo metálico que ecoou pelo complexo. O cheiro de sangue velho, urina e medo estava tão forte que quase me engasguei. Os guardas formaram um círculo apertado em volta de Camila, que carregava a caixa térmica com as doses como se fosse a coisa mais preciosa do mundo.“Fiquem perto dela”, eu ordenei, a voz baixa. “Qualquer movimento estranho, protejam a médica primeiro.”Camila engoliu em seco. Ela não sabia lutar. Nunca soube. Era cientista, médica, a mente brilhante por trás da cura. Mas ali, no meio daquela loucura, ela parecia frágil demais. Comecei a me questionar, se foi certo mesmo levá-la até ali.Nós começamos a caminhar em direção à ala de contenção. O corredor era longo, escuro, iluminado só por lâmpadas que piscavam de vez em quando. Os uivos vinham de longe, irregulares, furiosos. Eu sentia o lobo dentro de mim se agitar, inquieto.“O que escapou já foi pego?”, eu perguntei para o chefe de segurança, que caminh
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